PORTADA:
Marcos Margall, 1949, Venezuela.
Tierra Agua, (1997) 81 x 1,62 cm, técnica mixta
En 1996 vi algunas obras de Marcos Margall que
reflexionaban sobre su relación con Armando Reverón. Todo artista venezolano ha tenido
que negociar su propio crecimiento ante esta presencia, pero nadie que yo sepa ha
convertido ese proceso en un conjunto de pinturas. La obra me pareció importante y bien
hecha. Un año más tarde veo esta serie en un estado aún más avanzado. El artista hijo
conversa de igual a igual con su padre. Le cuenta en términos pletóricos lo que ha visto
en sus viajes por el mundo, los inventos de otras culturas, los desarrollos
contemporáneos. Y al mismo tiempo muestra que ha oído las palabras del hombre mayor, lo
esencial y eterno que ciertas pinceladas transmiten. Reverón y Margall se parecen en
varias cosas. Ambos son humildes, ambos están dotados para la pintura, saben convocar un
universo de luz suave o deslumbrante con trazos de desvanecido color.
Margall parece identificarse con un
"boyscout" cuya tarea es la búsqueda de la esencia del maestro. El boyscout
aparece al principio del laberinto, parado en la puerta sin atreverse a entrar, tímido
ante la complejidad de la tarea. Sin embargo, si miramos esta pintura con atención y
tiempo, veremos que el pintor hijo ya ha desenredado buena parte del camino. Su planteo es
contemporáneo e incorpora lecciones del pop norteamericano, el geometrismo a lo Frank
Stella, y la sensibilidad paisajista del impresionismo barajada como cita conceptual pero
triunfante en cuanto es central a la identidad del cuadro.
Nostálgicas, frescas y contemporáneas, las obras
de Margall revelan un pintor que hacía falta, alguien que genere un arte universal a
partir del punto del mapa conocido como Venezuela.
Comentario: Eduardo Costa, artista y crítico de la
revista Art in America / Tomado del catálogo de Sala Alternativa, Galería de Arte, 1997/
Fotografía: Rafael Fernández / Separación de colores: FOTOGRABADO VENE / |
COVER:
Marcos Margall, 1949, Venezuela.
Tierra agua (Earth water) (1997) 81 x 1.62 cm, mixed media
In l996 I saw some works by Marcos Margall which
were a reflection of his relationship with Armando Reverón. Each Venezuelan artist has
had to negotiate his/her own growth opposite this presence, but no one that I know of has
brought about this process into an array of paintings. The work looked important and well
done. A year later I see this series in a more advanced state. The artist-son talks
vis-a-vis with his father. He tells him in overflowing terms of what he has seen during
his trips around the world, the inventions of other cultures, of the new and advanced
developments. And at the same time he shows that he has heeded the words of the older man,
the essential and the eternal that certain brush strokes transmit. Reverón and Margall
are alike in some things. Both are humble, both are gifted for painting, they know how to
summon a universe of soft or dazzling light with strokes of subdued color.
Margall seems to identify himself with a
"boyscout" whose task is the search of the master's essence. The boyscout is
seen at the entrance of the labyrinth, standing, not daring to enter, shy on the
complexity of the task. Nonetheless, if we look at this painting with time and care, we
can see that the painter-son has already unraveled a great part of tile way. His statement
is contemporary and incorporates lessons from the American pop, the Geometrism of Frank
Stella, and the landscape sensibility of impressionism shuffled as a conceptual citation,
but triumphant in what is central to the identity of the picture.
Nostalgic, fresh, and contemporary, the work of
Margall reveals a needed painter, someone who can generate a universal art, from a point
in the map known as Venezuela.
Comments: Eduardo Costa, artist and critic of the
magazine Art in America / Taken from the Catalogue of Sala Alternativa, 1997/ Photo:
Rafael Fernández/ Color Separation: FOTOGRABADO VENE / |
CAPA:
Marcos Margall, 1949, Venezuela
Tierra Agua, (l997) 81 x 1,62 cm, técnica mixta
En 1996 vi algumas obras de Marcos Margall que
refletiam sobre sua relação com Armando Reverón. Todo artista venezuelano tem tido que
negociar seu próprio crescimento diante desta presença, mas ninguém que eu saiba tem
convertido esse processo em um conjunto de pinturas. A obra na minha opinião é
importante e bem feita. Um ano mais tarde vejo esta série em um estado ainda mais
avançado. O artista filho conversa de igual a igual com seu pai. Conta em termos
pletóricos o que tem visto nas suas viagens pelo mundo, os inventos de outras culturas,
os desenvolvimentos contemporâneos. E ao mesmo tempo mostra que tem ouvido as palavras do
homem idôneo, o essencial e eterno que certas pinceladas transmitem.
Reverón e Margall se parecem em várias coisas.
Ambos são humildes, ambos estão dotados para a pintura, sabem convocar um universo de
luz, suave ou deslumbrante com traços de desvanecida cor.
Margall parece identificar-se com um
"boyscout" cuja tarefa é a busca da essência do mestre. O boyscout aparece ao
princípio do laberinto, parado na porta sem atrever-se a entrar, tímido diante da
complexidade da tarefa. Com tudo isso, se olhamos esta pintura com atenção e tempo,
veremos que o pintor filho já tem aberto boa parte do caminho. Ele expõe o
contemporâneo e incorpora lições do pop norte-qmericano, o geometrista ao estilo de
Frank Stella, e a sensibilidade paisagista do impressionismo embaralhado corno consulta
conceitual mais triunfante, enquanto é central à identidade do quadro.
Nostálgicas, frescas e contemporâneas, as obras de
Margall revelam um pintor que fazia falta, alguém que gere uma arte universal a partir do
ponto do mapa conhecido como Venezuela.
Comentário: Eduardo Costa, artista e crítico da
revista Art in America/ Tirado do catálogo de Sala Alternativa, Galeria de Arte, 1997/
Fotografia: E. Espinoza/ Separação de cores: FOTOGRAVADO VENE/
Trad: Julia Da Silva |